Entre folhas de couve, tomates, peixes, flores e animais, a obra de Bordallo Pinheiro transformou elementos cotidianos da natureza em uma das linguagens mais reconhecíveis das cerâmicas portuguesas.
Fundada em 1884, a marca nasceu ligada à personalidade criativa de Raphael Bordallo Pinheiro e continua produzindo faianças em Caldas da Rainha, preservando técnicas centenárias ao mesmo tempo em que incorpora novas coleções e colaborações.
Mais do que louças para servir, suas criações contam histórias sobre Portugal, humor, alimentação e paisagem. É justamente essa mistura que permite que uma peça Bordallo atravesse gerações sem parecer presa ao passado.
Quem foi Rafael Bordallo Pinheiro?
Raphael Bordallo Pinheiro foi o artista que deu origem à linguagem estética da marca. Sua produção se destacou pela observação da sociedade, pelo humor e pela maneira original de representar animais, plantas e personagens da cultura portuguesa.
Em 1884, a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha foi criada com o propósito de revitalizar a cerâmica tradicional e aproximá-la de novas referências artísticas e culturais. Até hoje, a chamada Arte Bordallo preserva criações de Raphael e de seu filho, Manuel Gustavo, produzidas pelas mãos dos artesãos da fábrica.
Quem percorre cidades portuguesas percebe como a cerâmica está presente muito além da mesa: fachadas, mercados, restaurantes e casas transformam o material em parte da paisagem.
É esse repertório que também inspira o olhar da Matisse em suas viagens, aproximando sua curadoria das histórias e dos lugares onde grandes marcas nasceram.
O que caracteriza a cerâmica Bordallo Pinheiro?
A identidade de Bordallo Pinheiro pode ser reconhecida antes mesmo de encontrar a assinatura da marca. Suas peças combinam principalmente:
- formas orgânicas;
- representação detalhada da natureza;
- cores intensas;
- volumes e relevos;
- humor;
- referências à cultura portuguesa;
- funcionalidade associada à expressão artística.
A própria marca define criatividade, naturalismo e humor como elementos centrais de sua identidade.
Folhas deixam de ser apenas decoração e se tornam travessas, um tomate ganha volume suficiente para transformar um objeto cotidiano no foco da conversa. Sardinhas, tão ligadas ao imaginário português, saem da gastronomia popular e chegam às paredes e estantes.
A coleção Couve Bordallo Pinheiro e a natureza levada à mesa
Poucas criações representam tão claramente o universo Bordallo quanto a coleção Couve Bordallo Pinheiro. A folha de couve é reinterpretada em faiança com nervuras, texturas e tonalidades que fazem a peça parecer quase retirada de uma horta.
A surpresa está justamente no contraste entre um elemento simples da alimentação cotidiana portuguesa e uma peça capaz de ocupar uma mesa posta portuguesa elegante, seja como prato, bowl ou travessa.
Na seleção disponível na Matisse, aparecem diferentes interpretações dessa linguagem naturalista, além de folhas, vegetais e outras formas que ajudam a criar mesas menos rígidas e mais pessoais.

Tomates, folhas e flores: quando a louça portuguesa vira escultura
Raphael Bordallo Pinheiro desenvolveu uma linguagem em que objetos utilitários podiam carregar humor e teatralidade.
A Manteigueira Tomate Bordallo Pinheiro, por exemplo, transforma um tomate vermelho em uma peça tridimensional de faiança. Este é um exemplo que destaca como natureza, humor e alegria aparecem nas criações utilitárias do artista.
O mesmo princípio aparece em folhas de castanheiro, girassol, bananeira, gerânio e outras formas botânicas em peças que podem funcionar de maneiras diferentes conforme a casa.
Em um almoço, servem alimentos. Depois, podem permanecer sobre um aparador ou mesa lateral como parte da decoração. É justamente essa capacidade de transitar entre louça portuguesa e objeto decorativo que ajuda a explicar a atualidade da marca.
As sardinhas Bordallo Pinheiro e o humor português
Poucos elementos são tão associados a Portugal quanto a sardinha. Presente em festas populares, restaurantes, mercados e mesas, ela ganhou também inúmeras interpretações na produção de Bordallo Pinheiro.
A Sardinha Bordallo Pinheiro é integrante de uma linha marcada por cor e humor. A coleção reúne interpretações criadas em diálogo com artistas e ilustradores, transformando um símbolo tradicional português em objeto contemporâneo.
Uma sardinha de cerâmica sobre uma parede ou estante não precisa ter função prática, ela funciona como uma pequena história. Pode lembrar uma viagem a Lisboa, um verão português ou um almoço em família. É aí que a decoração portuguesa deixa de ser apenas estética e passa a carregar a memória.

Bordallo Pinheiro continua contemporâneo?
Sim, e talvez esse seja um dos aspectos mais interessantes da marca. A fábrica preserva técnicas históricas e modelos originais, mas também trabalha com novas criações e colaborações.
Entre os nomes associados à produção contemporânea aparecem artistas e designers como Claudia Schiffer, Maria Lynch, André Letria e Pedro Cabrita Reis.
Na coleção Gudrun, ligada a Claudia Schiffer, folhas aparecem em diferentes cores, incluindo verde, vermelho, laranja e marrom. Algumas dessas peças fazem parte atualmente da curadoria da Matisse.
Essa combinação mostra que preservar tradição não significa repetir o passado – o arquivo histórico funciona como ponto de partida para novas interpretações.
Como usar Bordallo Pinheiro em uma mesa posta?
A intensidade visual das peças pode gerar uma dúvida: é preciso montar toda a mesa com Bordallo? Não.
Na verdade, uma das maneiras mais interessantes de utilizar a louça Bordallo Pinheiro é deixar uma ou duas peças assumirem protagonismo.
Uma grande folha verde pode aparecer ao lado de porcelanas brancas, ou uma travessa em formato de vegetal pode ocupar o centro de uma mesa mais neutra. Peças coloridas também podem dialogar com cristais transparentes, linho e madeira.
Algumas combinações possíveis são:
- Couve + porcelana branca + linho natural;
- peças de tomate + louças neutras;
- folhas coloridas + cristais transparentes;
- sardinhas decorativas + objetos de viagem;
- Gudrun + mesa contemporânea com poucos elementos.
A seleção permite justamente esse tipo de composição para misturar procedências, épocas e linguagens em vez de construir uma casa em que tudo pertence obrigatoriamente ao mesmo conjunto.
Bordallo Pinheiro na decoração contemporânea
A cerâmica portuguesa não precisa permanecer restrita à sala de jantar. Uma peça Bordallo pode aparecer sobre uma mesa lateral, em uma estante, no aparador, na cozinha, em uma parede de pratos ou sobre uma mesa de centro.
É comum observar, em viagens e interiores europeus, casas em que cerâmicas antigas convivem com mobiliário contemporâneo e obras de arte. Esse contraste ajuda a casa a parecer construída ao longo do tempo.
Em vez de decorar um ambiente de uma única vez, objetos vão chegando com viagens, presentes e descobertas. Bordallo funciona especialmente bem nesse contexto porque cada peça já carrega uma presença própria.
Por que Bordallo Pinheiro atravessou gerações?
Talvez porque suas peças nunca tenham tentado ser discretas apenas para permanecer atuais. A marca continua ligada às formas e ao humor de seu fundador, mantendo a produção artesanal na Fábrica de Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro, em Caldas da Rainha.
Ao mesmo tempo, novas colaborações continuam atualizando esse repertório. Isso mostra que design atemporal não precisa significar neutralidade.
Às vezes, são justamente as peças mais particulares, como uma folha de couve, uma sardinha colorida ou um tomate de cerâmica que permanecem na memória de uma casa.
Para conhecer diferentes interpretações dessa tradição, explore a curadoria de cerâmicas Bordallo Pinheiro na Matisse e descubra como a faiança portuguesa pode participar de mesas, encontros e ambientes contemporâneos.
Perguntas frequentes
Bordallo Pinheiro é uma marca portuguesa?
Sim. A marca foi fundada em 1884 e mantém sua produção ligada a Caldas da Rainha, em Portugal.
Do que são feitas as peças Bordallo Pinheiro?
Grande parte das peças características da marca é produzida em faiança, uma tradição importante da cerâmica portuguesa.
Qual é a coleção mais famosa da Bordallo Pinheiro?
A coleção Couve está entre as mais reconhecidas e traduz a linguagem naturalista da marca ao transformar folhas em pratos, bowls e peças para servir.
Bordallo Pinheiro pode ser usado em mesas contemporâneas?
Sim. Suas peças podem ser combinadas com porcelanas neutras, vidro, cristais, tecidos naturais e objetos contemporâneos para criar composições mais pessoais.
As peças Bordallo Pinheiro podem ser usadas na decoração?
Sim. Além da função à mesa, muitas peças possuem presença escultural e podem ser utilizadas em aparadores, estantes, paredes e outros ambientes.
